As discussões em torno da quantidade de vagas de trabalho em aberto por vezes são simplificadas.
O motivo de haver uma imensa quantidade de postos de emprego em aberto não é o desinteresse pelo trabalho, até porque as condições de vida no país são bem difíceis, tampouco resume-se no aumento dos programas sociais ou fenômenos de imigração. Houve um aumento de atividades informais como motoristas e motoboys, ao mesmo tempo em que as redes sociais tornaram-se uma forte ferramenta de trabalho empreendedor para quem ousa navegar em suas teias.
Não se resume a postos em aberto, se resume na redução da qualidade de serviço prestado ou da produtividade, em consequência na gradual perda de clientes.
É preciso entender o tempo em que estamos, se por um lado é necessário desempenhar uma sólida estrutura de automação das tarefas e serviços prestados, por outro lado, conceder ao trabalhador seu próprio espaço de autonomia e decisão. Uma empresa que mantém uma boa relação com o trabalhador é uma empresa apta a transitar por meio da tempestade sem ser arrastada por ela, e muito mais do que isto, ainda conseguirá vender guarda-chuvas no meio dela.
A inovação começa com as relações de trabalho, que reduz gastos e aumenta a produtividade. A imensa quantidade de admissão e demissão não reflete apenas o ambiente insalubre da empresa, mas resulta em gastos adicionais rotativos (pagamento de décimo, férias e exames). No final das contas, a boa relação de trabalho proporciona à empresa crescer de maneira saudável e cumprindo o seu objetivo existencial.

